CIÊNCIA

Hidroxicloroquina não é eficiente em pacientes leves a moderados, mostra estudo chinês

Brasilia DF 21 03 2020-O presidente Jair Bolsonaro divulgou na tarde hoje (21), nas redes sociais, um vídeo em que afirma que o hospital Albert Einstein deu início a pesquisas sobre o uso de cloroquina e da hidroxicloroquina no combate à covid-19. Essas substâncias são usadas normalmente contra o vírus da malária, no combate ao lúpus e à artrite reumatoide. foto Marcelo Casal/Agencia Brasil

Em estudo publicado nesta quinta-feira (14), cientistas chineses mostram que a hidroxicloroquina não é mais eficiente do que o tratamento padrão (sem o medicamento) da Covid-19 em pacientes leves a moderados. A pesquisa com uma amostra de 150 pacientes foi publicada na revista científica “The BMJ”.

Os dados foram coletados em 16 centros de tratamento contra a doença entre 11 e 29 de fevereiro de 2020, na China. Este é, de acordo com os autores, o primeira estudo randomizado sobre o medicamento: com a escolha aleatória dos participantes. Não foi um duplo-cego: quando pesquisadores e pesquisados não sabem se receberam o tratamento, estratégia para evitar influência psicológica ou impressão pessoal e externa.

Como aconteceu:
150 pacientes foram internados com Covid-19 com teste laboratorial positivo 2 desenvolveram a versão grave da doença; outros 148, um quadro leve a moderado 75 deles receberam o tratamento padrão Os outros 75 receberam o tratamento padrão com adição da hidroxicloroquina Dose: 1.200 mg diárias por três dias, e uma dose de manutenção de 800 mg até completar 2 semanas para os pacientes leves a moderados e 3 semanas para os graves Os cientistas aguardaram por 28 dias que o resultado do teste dos pacientes fosse negativo para o vírus. Um total de 109 pacientes (73%) – 56 sem o remédio e 53 com o remédio – tiveram essa conversão da doença antes do prazo. Outros 41 (27%) foram retirados do estudo por ainda ter o Sars CoV-2 até o final das 4 semanas.

O resultado: ambos os grupos tiveram um resultado semelhante na resposta ao tratamento. A probabilidade do grupo com a hidroxicloroquina se curar no período de análise do estudo foi de 85,4%. Quem não recebeu a droga teve uma chance de 81,3%, uma diferença de 4,1%. A margem de erro era de 10,3% a 18,5%.

Efeitos colaterais foram registrados em 7 de 80 pacientes que não receberam a hidroxicloroquina (9%). Entre os que receberam a droga, 21 pessoas apresentaram eventos adversos entre um total de 71 receptores da hidroxicloroquina (30%). A diarreia foi o efeito mais comum entre os participantes que tomaram o medicamento – 10% deles, 7 de 70. Dois apresentaram efeitos adversos graves devido ao remédio.

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